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Classificação Científica

Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Aves
Ordem: Passeriformes
Subordem: Tyranni
Infraordem: Tyrannides
 Wetmore & Miller, 1926
Parvordem: Tyrannida
Família: Tyrannidae
 Vigors, 1825
Subfamília: Tyranninae
 Vigors, 1825
Espécie: T. melancholicus

Nome Científico

Tyrannus melancholicus
Vieillot, 1819

Nome em Inglês

Tropical Kingbird


Estado de Conservação

(IUCN 3.1)
Pouco Preocupante

Fotos Sons

Suiriri

O suiriri é encontrado em todo o Brasil. Adapta-se até aos maiores conglomerados urbanos, desde que haja alguma arborização. Pode ser visto no meio de São Paulo ou Rio de Janeiro, por exemplo. A população do sul do Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai (parte) é completa ou parcialmente migratória. Seu nome popular, de origem onomatopeica, origina-se de sua vocalização “si-ri-ri” (Höfling e Camargo, 2002).
Também é conhecido como siriri e catimbozeiro (Pernambuco).

Nome Científico

Seu nome científico significa: do (grego) turannos = tirano, agressivo; e melankholikos = melancólico. ⇒ (Ave) tirana melancólica ou (ave) agressiva melancólica.

Características

O suiriri (Tyrannus melancholicus) possui a cabeça predominantemente cinza, com a garganta mais clara, tendendo ao branco, e uma faixa difusa mais escura na região ocular e auricular. O píleo é de coloração laranja — uma característica visível quando eriça o topete em suas disputas territoriais. O peito possui coloração verde-oliva, destacando-se da coloração amarela da barriga. Mede entre 18 e 24,5 centímetros de comprimento e pesa entre 32 e 43 gramas (Mobley, 2016). Os imaturos são similares aos adultos, mas as bordas das coberteiras são acastanhadas.

Diferencia-se do suiriri-de-garganta-branca (Tyrannus albogularis) principalmente pela coloração do peito e da cabeça, visto que esse último possui o peito amarelo e a cabeça mais clara, com uma nítida faixa escura atravessando os olhos até a região auricular. Sob luz forte, quando a cor do peito parece mais clara, o suiriri (Tyrannus melancholicus) pode parecer enganadoramente um suiriri-de-garganta-branca, mas nunca possui uma máscara tão nítida em contraste com a coloração clara da cabeça (Ridgely & Tudor, 2009).

ESPÉCIE SEM DIMORFISMO SEXUAL

Subespécies

Possui três subespécies reconhecidas:

(Integrated Taxonomic Information System, 2015).

Fotos das subespécies de (Tyrannus melancholicus)
(Ssp. melancholicus) (Ssp. despotes) (Ssp. satrapa)

Espécies Semelhantes

As três espécies, suiriri, suiriri-de-garganta-branca e suiriri-cavaleiro são bastante parecidas, distinguindo-se por detalhes sutis na sua forma (“shape”), na coloração da plumagem e dos olhos e na forma do bico e da cauda. A região de ocorrência também pode auxiliar na correta identificação da espécie.

Diferenças entre as espécies.

Os adultos destas três espécies apresentam o manto com coloração distinta. No suiriri (Tyrannus melancholicus) a coloração do manto é cinzenta, no suiriri-de-garganta-branca (Tyrannus albogularis) é cinza-olivácea e no suiriri-cavaleiro (Machetornis rixosa) é pardo-olivácea.
A maxila em ambos os Tyrannus é mais larga e robusta que a maxila de Machetornis rixosa, em que ela é mais delgada e delicada.
A coloração da íris dos Tyrannus é castanho-escura, enquanto em indivíduos adultos de Machetornis rixosa ela é castanho-avermelhada.
A coloração da cabeça também é distinta. Em um suiriri (Tyrannus melancholicus) a coloração da cabeça é cinzenta e a máscara facial escura é difusa e opaca, fazendo pouco contraste com a porção abaixo da máscara ocular, onde a coloração é cinza pálido. Em um suiriri-de-garganta-branca (Tyrannus albogularis), a cabeça é cinza-esbranquiçada e a máscara ocular escura é bem demarcada e definida, apresentando contraste distinto com a porção superior da cabeça, que é cinza-esbranquiçada, e a porção abaixo da máscara ocular, que é branco puro. O suiriri-cavaleiro (Machetornis rixosa) possui a cabeça pardacenta e sua máscara ocular é escura e fina, quase uma linha estreita de cor pardo-escura, e a porção abaixo da máscara ocular também é pardacenta, mas menos intensa que a coloração do restante da cabeça da ave.
A coloração da garganta de um suiriri (Tyrannus melancholicus) é branco-acinzentada, em um suiriri-de-garganta-branca (Tyrannus albogularis) é branco-puro e no suiriri-cavaleiro (Machetornis rixosa) é amarelo-pardacenta.
A coloração do peito e da faixa peitoral destas espécies também apresenta diferenças distintas. O peito de um suiriri (Tyrannus melancholicus) é amarelo e apresenta uma faixa peitoral cinzenta (varia em intensidade entre indivíduos). Em um suiriri-de-garganta-branca (Tyrannus albogularis) o peito é amarelo intenso e apresenta uma fraca, tênue faixa peitoral cinza lavada que pode não estar presente. Em um suiriri-cavaleiro (Machetornis rixosa) a coloração do peito é amarelo pálido lavado, e apresenta uma diluída faixa peitoral de coloração pardacenta sobre fundo amarelo. Apesar da grande variação, o contraste entre a coloração do peito ou faixa peitoral com a coloração da garganta destas espécies é um fator utilizado para a distinção entre elas.
A cauda dos Tyrannus é cinzenta, e sua porção final é ligeiramente bifurcada e pontuda, enquanto que em um suiriri-cavaleiro (Machetornis rixosa) elas são de coloração pardacenta, não são bifurcadas e possuem a terminação das retrizes arredondada.

Suiriri (Tyrannus melancholicus) Suiriri-de-garganta-branca (Tyrannus albogularis) Suiriri-cavaleiro (Machetornis rixosa)

Alimentação

A partir do poleiro, realiza um voo de poucos até dezenas de metros, em todas as direções, apanhando a presa no ar. Classicamente, retorna ao local de origem para consumi-la, muitas vezes batendo fortemente no galho para matá-la ou estonteá-la. Está em seu poleiro nas primeiras horas da manhã e muitas vezes permanece todo o dia, apesar do sol e calor. Além de insetos, alimenta-se de frutos, esses últimos muito consumidos por aves em migração. Aprecia muito os frutos do tapiá ou tanheiro (Alchornea glandulosa).

Reprodução

A construção do ninho é feita pelo casal, que utiliza pequenos galhos e gavinhas secas, além de elementos artificiais como fios de nylon e de plástico. Realizam a postura de até três ovos de cor branca com pintas e manchas cor de vinho, que são incubados por até 17 dias. Muitos ninhos de passeriformes são atacados por predadores como ramphastídeos, mas os pais defendem o território do ninho, além de receberem auxílio de outras espécies de tiranídeos para espantar predadores (Brusque, 2007).

Hábitos

Costuma ficar pousado em poleiros expostos, seja na parte alta da mata, seja em arbustos. Usa também fios, cercas e estruturas criadas pela ação humana.
Vive solitário ou em casais, muito agressivos entre si.
Vive em grupos de até duas dezenas de suiriris, que podem ser vistos empoleirando-se próximos, algumas vezes junto a tesourinhas. Durante o dia, fluxos constantes de suiriris voando na mesma direção a poucos metros das copas podem ser notados, chamando a atenção pela pequena distância entre si e pela continuidade do movimento, às vezes por 30 ou 40 minutos, com 2 ou 3 aves de cada vez.
Canta frequentemente do final da madrugada ao início da noite, geralmente pousado em fios, antenas, mourões de cerca ou nos galhos mais altos das árvores, o que amplia seu campo de visão para a captura de insetos, defesa da prole, etc. Um fato interessante observado é que os indivíduos costumam escolher os mesmos horários e lugares para seus gorjeios, mesmo em diferentes épocas do ano. Na época da primavera/verão chega a cantar às 2 ou 3 horas da manhã.

Distribuição Geográfica

Ocorre em todo o Brasil e desde os Estados Unidos a quase toda a América do Sul (Sick, 1997). É uma espécie muito observada no estado de Santa Catarina entre setembro e começo de abril, época em que ocorre sua nidificação (dezembro/janeiro). Algumas populações migratórias possuem asas mais pontudas, o que pode ser explicado como uma adaptação para voos longos (Sick, 1997).
A população ocorrente na Argentina, Uruguai, grande parte do Paraguai, extremo sudeste boliviano e sul do Brasil é migratória, indo para a Amazônia a partir de março/abril. Retorna em outubro, passando pelo Pantanal em abril/maio e em setembro/outubro.

Referências

Consulta bibliográfica sobre as subespécies:

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